…O MISTÉRIO DO INSTITUTO QUE TRABALHA DE GRAÇA (PARA ALGUNS)
No fascinante ecossistema político do Tocantins, acaba de florescer uma espécie rara de desprendimento financeiro: o Instituto Lucro Ativo.
Em um mundo onde até um cafezinho no Palácio Araguaia tem custo, os proprietários da empresa resolveram elevar o conceito de caridade a um novo patamar, registrando pesquisas no TRE pagas com o próprio suor — ou melhor, com “recursos próprios”.
Os “Santos” da Estatística
Os donos do instituto são o que poderíamos chamar de “folhas em branco” da vida pública.
Não são filiados a partidos, nunca sentaram em uma cadeira de servidor público e nunca sentiram o gosto de pedir voto em esquina.
São quase entidades místicas, imaculadas de qualquer interesse político aparente.
É de se emocionar, não fosse um detalhe: quem trabalha de graça para um lado, geralmente está sendo pago por outro.
A Coincidência que Vale Ouro
O que causa um “leve” arqueamento de sobrancelhas em qualquer observador com dois neurônios funcionais é o famigerado Padrão de Sorte de um partido Y .
Por uma força oculta da natureza — talvez um alinhamento planetário — os números do Lucro Ativo parecem ter uma queda apaixonada pelos candidatos desse grupo político.
É uma matemática mágica:
- O instituto tira dinheiro do próprio bolso (segundo o registro);
- Realiza o levantamento com uma “precisão” que faria a NASA invejar;
- E, voilà, o resultado é sempre um abraço caloroso nos nomes do partido Y.
O Triângulo Amoroso: Pesquisa, Portal e Prefeitura
Mas a ironia fina não para por aí.
Para que o “milagre” da pesquisa chegue ao povo, entram em cena os portais de notícias.
Por uma coincidência digna de roteiro de cinema, os veículos que correm para divulgar esses números costumam ter contratos generosos com prefeituras ou empresas ligadas… adivinhem?
Exatamente ao mesmo grupo que lidera as pesquisas!
É o ciclo da vida tocantinense: a prefeitura paga o portal, o portal “solicita” a pesquisa (que o instituto faz de graça, pois são almas caridosas), e o resultado mantém todos felizes e bem colocados nos gráficos.
Dúvidas no Ar? Magina…
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Dizer que isso causa estranheza é eufemismo.
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O que temos aqui é um caso de estudo para a ciência política: como ser um empresário de sucesso gastando milhares de reais em pesquisas “autofinanciadas” sem ter nenhum retorno financeiro direto? Talvez a “Lucro Ativo” devesse mudar o nome para “Prejuízo Voluntário.”